F1: We Race As One, porém nem tanto

Vettel fez um protesto a favor da diversidade, mas tomou uma reprimenda da F1, que lançou uma campanha tendo esse como um dos objetivos

Em junho de 2020, a F1 lançou a campanha We Race As One (Nós Corremos Como Um) e um dos seus objetivos era promover a diversidade. Ela soou um pouco confusa de início. E um ano depois, ainda não dá pra entender muito bem até onde ela vai, visto que Vettel estava levantando uma bandeira importante para a diversidade na Hungria e tomou uma reprimenda por isso.

O governo do país, que é ultraconservador, criou uma lei que equipara pedofilia e homossexualidade e proíbe a vinculação de conteúdos com “promoção da homossexualidade” para menores de 18 anos. No GP da Hungria, os protestos de Vettel a favor dos direitos LGBTQIA+ chamaram a atenção. Na quinta, usou um tênis com as cores do arco-íris. Já no domingo, usou máscara e uma camisa coloridas, escrito “Same Love”.

Hamilton também mostrou seu apoio à causa. Além disso, elogiou o tetracampeão mundial pela atitude: “Acho maravilhoso que Seb tenha tomado uma posição neste fim de semana, para dar voz àqueles da comunidade LGBTQ+ aqui [na Hungria]”. No entanto, a FIA fez uma reprimenda ao piloto da Aston Martin, por usar a camisa na hora do hino.

No ano passado, tivemos outro exemplo. Hamilton usou no GP da Toscana uma camisa pedindo justiça por Breonna Taylor, paramédica negra que foi morta por policiais nos Estados Unidos. A reação da FIA foi esboçar investigar o piloto da Mercedes – o que no fim acabou não acontecendo. Mesmo assim, essa postura se mostrou incoerente. Fica o questionamento: a F1 veste a camisa de sua campanha mesmo ou não?

Na Hungria, Vettel protestou contra decisões do governo do país que afetam toda uma comunidade e teve esse “puxão de orelha”. Contudo, o piloto da Aston Martin se mostrou realmente comprometido a causar esse impacto positivo usando seu alcance.

Ele disse que estaria “feliz se o desclassificassem” por isso e acrescentou: “eles podem fazer o que quiserem comigo, eu não ligo. Eu faria isso de novo”. Analisando esse caso, percebe-se que ele foi firme em seu posicionamento e se opôs a passar sua mensagem apenas em um momento previamente determinado pela categoria.

Vettel - eles podem fazer o que quiserem comigo, eu não ligo.
Vettel: “Eles podem fazer o que quiserem comigo, eu não ligo.”

Vale destacar também que a penúltima prova da temporada será na Arábia Saudita. O anúncio da corrida no país gerou polêmica por ser muito conservador e que restringe direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+. Mesmo assim, está confirmado o GP no circuito urbano de Jeddah, em 5 de dezembro. 

É verdade que Vettel foi desclassificado pela FIA por não conseguir extrair 1L de combustível do carro #5, e o pedido de revisão pela Aston Martin foi negado. Contudo, suas ações na Hungria foram de um vencedor. 

Manifestações como as de Vettel e Hamilton são socialmente muito importantes. A visibilidade dada pela Fórmula 1 pode e deve ser utilizada para levantar pautas importantes para a sociedade e a campanha We Race As One potencializa isso. Ou pelo menos deveria. A impressão que dá é que correm como um, porém só em determinados momentos. É uma pena que a F1 não parece estar totalmente alinhada com a campanha que criou.

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